Safra de milho em Mato Grosso sofre com seca e pragas

Safra de milho em Mato Grosso sofre com seca e pragas
Safra de milho em Mato Grosso sofre com seca e pragas - Foto: Canva

A segunda safra de milho em Mato Grosso tem sido marcada por desafios que colocam em risco a produtividade das lavouras. A combinação de fatores climáticos adversos e o aumento no ataque de pragas tem preocupado os agricultores do estado.

O plantio fora da janela ideal, consequência dos atrasos na colheita da soja, agravou ainda mais a situação. Além disso, a falta de chuvas nos períodos críticos do desenvolvimento das plantas e a alta infestação de lagartas têm dificultado o manejo adequado das lavouras.

Dados da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) apontam que cerca de 15% da área cultivada foi semeada fora do período recomendado, o que já comprometeu parte do potencial produtivo da safra.

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) também alerta que, mesmo com o uso de sementes de alta produtividade, os resultados não estão sendo satisfatórios neste ciclo devido às condições climáticas desfavoráveis.

De acordo com o programa Aproclima, da Aprosoja Mato Grosso, diversas regiões do estado sofreram com a falta prolongada de chuvas. Municípios como Confresa, Matupá, Guiratinga, Água Boa e Nova Xavantina foram duramente impactados, enfrentando períodos de estiagem prolongados. Em Confresa, por exemplo, a ausência de precipitação chegou a 27 dias, prejudicando o desenvolvimento das plantas justamente na fase crítica de crescimento do milho.

Apesar da seca severa, as chuvas recentes trouxeram um alívio para as lavouras, ajudando a estabilizar parte das plantações. No entanto, o impacto da estiagem já deixou marcas significativas na produtividade esperada. Segundo Diego Dallasta, vice-presidente leste da Aprosoja MT, mesmo com a melhora nas condições climáticas, os produtores ainda terão que lidar com perdas expressivas.

Outro grande desafio desta safra tem sido o controle das lagartas, que têm se multiplicado rapidamente. Mesmo com o uso de biotecnologia e defensivos agrícolas, a resistência dessas pragas tem dificultado o controle, obrigando os agricultores a realizarem aplicações repetidas de defensivos para tentar conter o problema. Esse aumento na necessidade de controle químico também impacta os custos de produção, tornando a situação ainda mais complicada para os produtores.

Diante desse cenário, especialistas recomendam que os agricultores fiquem atentos às previsões climáticas e busquem estratégias de manejo mais eficientes para minimizar os impactos das pragas e das variações climáticas.

Com um ciclo tão desafiador, a expectativa é de que as perdas sejam inevitáveis, mas medidas podem ser adotadas para reduzir os danos e garantir um mínimo de rentabilidade para os produtores.

Jornalista, escreve diariamente para o portal CenárioMT, atua nas categorias de Clima e Tempo. Possui experiência em produção textual e, atualmente, dedica-se à redação do CenárioMT produzindo conteúdo de alta qualidade aos nossos leitores.